sexta-feira, 24 de março de 2017

Rei das Selvas Tarzan(MATÉRIA DO ANO DE 2012)


Homenagem à Chita (1931-2011): Onde a Selva Fica de Luto.

Ele foi um dos heróis das telas das matinês mundiais, afinal, quem achou que era uma fêmea, se equivocou. Ao lado do Rei das Selvas Tarzan, o eterno personagem criado por Edgar Rice Burroughs (1875-1950), ele (ela) o salvava em praticamente todos os perigos em que o Homem Macaco se arriscava, pelo menos nos filmes de Hollywood interpretados por Johnny Weissmuller (1904-1984) e Lex Barker (1919-1973), além de provocar muitos risos nas plateias de cinema com suas trapalhadas . Falo da macaca Chita (Cheetah em inglês), tão famosa quanto seu ilustre dono.

Chita surgiu na imaginação dos produtores de Hollywood ao período em que se produzia o primeiro filme sonoro de Tarzan, que seria estrelado por Weissmuller. Nos romances originais de Rice Burroughs, Cheetah era o nome designado na linguagem dos grandes macacos como leopardo, ao caso que o macaquinho amigo de Tarzan se chamava Nikima, e não era um chimpanzé. Em 1976, um desenho produzido pela Filmation que reproduzia mais fidedignamente as aventuras de Tarzan baseadas nos livros de Edgar Rice Burroughs introduziu o macaquinho Nikima como o mascote do Rei das Selvas, em vez da chimpanzé Chita, que ficou mais popular graças aos filmes produzidos ao longo de décadas no cinema e na TV.

Companheira de Tarzan em pelo menos 12 filmes, entre as décadas de 30 e 40, Chita era, na verdade, um macho. Batizado originalmente como Jiggs, ele depois ganhou o nome que tão bem o celebrou. Atuou ao lado do “Tarzan” Weissmuller, Maureen O’ Sullivan (1911-1998), que é a mais famosa Jane do cinema, e Johnny Sheffield (1931-2010) que interpretava o filho de ambos, Boy (e outro detalhe a fugir dos eventos originais das obras literárias de Burroughs, quando na verdade o filho de Tarzan e Jane se chamava Korak, e não era adotado como nos filmes, já que os produtores e roteiristas fizeram isso para evitar confrontos com ligas puritanas e o Código Hays, uma vez que em várias aventuras no cinema não eram oficialmente casados) – e tanto dentro quanto fora dos sets de filmagem, Chita proporcionava grandes risadas. 



Talvez tão popular quanto os famosos filmes que cativaram a imaginação de eternas crianças foram as trapalhadas e encrencas que se metia, e um bom exemplar disso esta em Tarzan contra o mundo (Tarzan's New York Adventure)onde vai parar na cidade grande junto com o Homem Macaco e Jane em busca de Boy que fora sequestrado, e lá se mete em muitas traquinagens. Foi o último da saga produzida pela Metro Goldwyn Mayer (que depois passaria as produções para a RKO, com uma qualidade um pouco mais baixa do que os filmes produzidos pela MGM, mas ainda assim, a RKO nos entretinha com divertidas aventuras) e também o último de Maureen O’ Sullivan no papel de Jane, que queria investir em outros papéis para evitar ficar estigmatizada pelo papel, sem contudo conseguir tanto.



Quando Johnny Weissmuller deixou o “trono” do papel, em 1948 (era Tarzan desde 1932, logo ficou no papel durante 16 anos, embora o personagem tivesse tido outros intérpretes cinematográficos na mesma época, como Herman Brix, Buster Crabbe, e Glenn Morris), assumiu Lex Barker, considerado o “Tarzan mais belo de Hollywood”. Chita também atuou ao lado de Barker, que imperou no personagem entre 1949 a 1953. A partir daí, Chita teve sucessores e imitadores, chimpanzés igualmente inteligentes, como nos casos dos filmes estrelados por Gordon Scott, Denny Miller, e Mike Henry no papel – e na TV por Ron Ely na série cult produzida entre 1966 a 1968.



Nos últimos 50 anos, vivia num santuário de animais, na Flórida, e era uma celebridade no local, sendo visitado por fãs de todo mundo. Como muitas celebridades, até Chita tinha suas excentricidades como um verdadeiro astro de cinema: bebia cerveja Budweiser, fumava charutos, e quando contrariado, jogava excrementos em seu desafeto. Tendo sobrevivido a Johnny Weissmuller (que morreu em 1984), Maureen O Sullivan (que morreu em 1998), Lex Barker (que morreu em 1973) e Johnny Sheffield (que morreu em 2010), Chita colecionou também muitos admiradores, mas mesmo assim foi desdenhada uma estrela na calçada da fama, que foi três vezes solicitada uma inclusão na galeria de estrelas, mas por pura injustiça, jamais houve um convite.



Chita morreu na véspera de natal do ano que passou, aos 80 anos, mas como muitos dos nossos astros que amamos e se imortalizam em nossas lembranças, esta celebridade animal também tem um lugar, graças a tantas gargalhadas que nos proporcionou. Descanse em Paz, amiguinho! A Sétima Arte e seus fiéis amantes agradecerão para sempre sua imensa contribuição.

Imagem relacionada

Nenhum comentário:

Postar um comentário